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Startups surgem como alternativa para revolucionar o mercado de trabalho

12 de Janeiro de 2018, 11:33 , por Mariana Lozzi Teixeira - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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7a74a690 1707 4cad bdb8 a03fc2213246Pessoas com alergias, intolerâncias e outras restrições alimentares costumam ter dificuldades para encontrar a refeição apropriada em restaurantes ou mesmo escolher os alimentos adequados no mercado. Atentos a esse problema, os maranhenses Mayane Reis, de 27 anos, Betiane Silva, de 24, Emilly Martins, de 27, e João Pedro Maciel, de 20, bolaram o projeto do aplicativo Posso Comer?, que avalia se determinada comida pode ser prejudicial e também mapeia locais que oferecem cardápios para pessoas com restrições.

Com a ideia, o time levou o ouro no Desafio Universitário Empreendedor do Sebrae, que ocorreu em abril de 2017. Eles concorreram com mais de 90 mil estudantes de todo o Brasil e, após participarem de provas em jogos empresariais e oficinas, apresentaram o modelo de negócio do Posso Comer? a uma banca de jurados formada por investidores, empresários e especialistas em empreendedorismo e inovação.

Sempre tive vontade de ter uma empresa, uma coisa minha”, conta Mayane. O essencial para abrir um negócio é, na visão da estudante de ciências contábeis da Universidade Federal do Maranhão, a inovação. “É um conceito que abrange várias definições. Pode ser algo que já exista no mercado, mas você aperfeiçoa uma determinada etapa do processo e encontra aí um diferencial que é decisivo. O importante é que você faça algo diferente, para alcançar um resultado ímpar”, destaca Mayane. A jovem teve no pai, dono de um mercado, a referência empreendedora que a acompanhou desde a formação escolar até a vida universitária. Encantada com a possibilidade de, a todo momento, fazer escolhas que determinariam o futuro do seu negócio, Mayane não pensou duas vezes antes de seguir o exemplo paterno e se atirar de cabeça na oportunidade oferecida pelo Sebrae.

Alexandre Ferreira, de 24 anos, compartilha com Mayane a vontade de inovar e empreender. Estudante de engenharia elétrica da Universidade Federal do Ceará, o jovem desenvolveu, em parceria com Gustavo Barbosa, de 21 anos, Jacó Moraes, de 20, e Marcus Bezerra, de 24, um aplicativo que auxilia empresas na redução dos gastos com contas de energia. “Na empresa júnior do curso de engenharia elétrica damos consultoria para empresas reduzirem custos e aumentarem lucros. O aplicativo vem para abranger esse serviço”, explica Alexandre.

A equipe do estudante ficou em segundo lugar no campeonato promovido pelo Sebrae e, desde então, vem buscando investidores para colocá-los no circuito empresarial. “Tenho muita vontade de empreender. Estou me inserindo no mercado por meio do estágio, mas sempre de olho nas carências e demandas de públicos potenciais. Acredito que o empreendedorismo precisa ser melhor difundido para o jovem se identificar e ter o próprio negócio”, observa.

Tanto a equipe de Mayane quanto a de Alexandre se enquadram no perfil do jovem empreendedor brasileiro. De acordo com o último levantamento realizado pela Pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor), em 2016, a maioria dos empreendedores no país estão na faixa etária entre 18 e 34 anos.

Segundo Rafael Ribeiro, diretor executivo na Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o perfil de quem empreende se identifica, em geral, com a figura do universitário recém-formado, da pessoa que já trabalhou em uma grande empresa e descobriu lá uma carência do mercado ou ainda de alguém que participou de uma startup e descobriu o potencial para empreender por conta própria. “O contexto de crise econômica marcada por altos níveis de desemprego pode servir como combustível para jovens que já pensavam em empreender. Eles têm consciência que entrar no mercado de trabalho pode não ser o movimento mais prudente durante a recessão, então aproveitam o cenário aparentemente desfavorável para correr riscos e investir em inovação”, avalia o diretor executivo da ABStartups, sobre a relação entre a crise econômica e surgimento de novas empresas. 

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Inovar é preciso

O jovem brasileiro quer ter autonomia, é conectado às tecnologias digitais e está agregando inovação ao mercado do país”, avalia Enio Pinto, gerente de Atendimento Individual do Sebrae Nacional. Ainda na visão de Pinto, o contexto de alto índice de desemprego entre a população jovem também é um fator que favorece o empreendedorismo. Mesmo assim, segundo o gerente, é característico da juventude se aventurar em negócios que podem demorar a gerar lucros, como é o caso das startups. “O jovem é muito mais movido pela oportunidade que pela necessidade. Não é empreender para sobreviver, ele quer experimentar”, destaca.

Nesse cenário de experimentações, estão as startups, que oferecem soluções inteligentes, com forte base tecnológica, em um modelo de negócios escalável, ou seja, que pode ser produzido repetitivamente e com ganho de produtividade. O que diferencia uma startup de outros tipos de negócios é o custo do investimento: em geral, as startups requerem baixíssimos custos de manutenção, porém, com potencial para crescer rapidamente e gerar lucros cada vez maiores. Além disso, é característico de uma startup ter um grupo de pessoas investindo em um modelo de negócios de “produção em massa”, como franquias, em ambientes de grande incerteza.

Startups são investimentos de alto risco em qualquer lugar do mundo, mas, no Brasil, o risco é muito maior. Isso se deve a vários fatores, principalmente ao amadorismo e falta de planejamento, além da dificuldade de conseguir financiamento. A elevada taxa de mortalidade dessas empresas está ligada também à formação de time, escolha dos sócios e aspectos administrativos, como pensamento estratégico”, observa Rafael Ribeiro

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Sem tecnologia, sem competitividade

No ranking das 63 nações mais competitivas do mundo, o Brasil está na 61ª colocação no Índice de Competitividade Mundial 2017. Em 2016, o país estava em 57º lugar e em 2010, estava 38º lugar.

Entre os motivos da perda de posição no ranking está a falta de investimento em tecnologia e inovação, além da crise política e econômica do país. Isso porque de lá para cá, o Índice de Competitividade Mundial incluiu como critério de classificação os indicadores de tecnologia e infraestrutura. Nesse cenário, as Startups despontam como uma oportunidade para melhorar a competitividade brasileira em relação a outros países.

Fonte: International Institute for Management Development (IMD), Fundação Dom Cabral (FDC), 2017

A primeira Startup

O termo “startup” surgiu na era da internet, em que predomina a comunicação, instantaneidade e interação proporcionados especialmente pelos dispositivos móveis. No entanto, essa ideia de apostar em um negócio com pouco dinheiro, vários riscos e muita criatividade não é de agora.

Em fins da década de 1930, dois estudantes da Universidade de Stanford, na Califórnia (Estados Unidos), fundaram uma empresa na garagem de casa e, com um investimento inicial de 538 dólares (hoje equivalentes a pouco mais de 1,5 mil reais), produziram osciladores de rádio - um instrumento usado em testes de áudio por engenheiros.

Algumas décadas depois, os universitários começaram a fabricar impressoras a jato de tinta e a laser. A marca criada por eles é, atualmente, uma das mais bem-sucedidas e conhecidas no mercado: a HP, sigla para Hewlett e Packard, que são os sobrenomes dos universitários empreendedores de garagem. “Os especialistas falam que existem janelas de oportunidades para empreender e uma delas é quando se tem muita informação, conhecimento e poucos compromissos financeiros. Esse é o momento ideal para correr riscos calculados”, ressalta Enio Pinto.

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Plano Nacional de Desenvolvimento de Startups para a Juventude

Atento às tendências empreendedoras da juventude, somado ao grave contexto de desemprego no país, que se agrava entre os mais jovens, o Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional de Juventude, está elaborando o Plano Nacional de Desenvolvimento de Startups. Segundo Felipe Vinhas, secretário-adjunto da SNJ e coordenador do Plano, o objetivo da iniciativa é desenvolver e implementar políticas públicas voltadas para os jovens afetados pelo desemprego, além de beneficiar aqueles que têm o sonho de empreender, mas se sentem impedidos de abrir o próprio negócio devido a entraves financeiros e burocráticos.

Para que novas empresas sejam fundadas com menos riscos, precisamos de uma reformulação na educação empreendedora e de um ecossistema saudável que atraia os jovens para essas atividades”, explica Vinhas. O secretário adjunto acrescenta ainda que “além de configurar como uma tendência mundial e serem carro-chefe na geração de novos empregos e captação de investimentos ao redor de diversos países, as startups têm a função de revitalizar o mercado”.

Com uma visão semelhante, Rafael Moreira, coordenador geral de software e serviços de Tecnologia da Informação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, ressalta a importância de investimentos no ecossistema de startups por parte do Governo Federal. “O Brasil não pode almejar ser uma das maiores economias do mundo sem antes valorizar a economia do conhecimento, que inclui as startups, com foco nas de tecnologia da informação.”

O caminho para a criação do Plano de Startups, porém, não é recente. Ao longo deste ano, foram realizadas três reuniões do Comitê de Desenvolvimento de Startups para a Juventude, com o objetivo de discutir estratégias de fomento ao empreendedorismo com base em uma consultoria que elencou, em um diagnóstico, as principais dificuldades com que jovens empreendedores se deparam ao abrir empresas. O Comitê, que realizou a última reunião em 28 de setembro deste ano, era composto por representantes dos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Fazenda, Trabalho, Educação, Ciências, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Confederação Nacional das Indústrias (CNI), sociedade civil, iniciativa privada e terceiro setor.

No início do mês de novembro, a SNJ abriu uma consulta pública para colher contribuições externas na elaboração do Plano Nacional de Desenvolvimento de Startups. A ideia é que o mecanismo garanta aos cidadãos interessados a chance de colaborar na construção das políticas para incentivar o empreendedorismo, com foco nas startups.

Com o fim das etapas de elaboração do Plano, a SNJ apresentará o texto base para a Presidência da República e Congresso Nacional. “Com esse conjunto de estratégias e ações em mãos, queremos transformar o Plano de Startups em um projeto de lei. Precisamos compreender que a retomada do crescimento econômico prescinde da participação ativa do jovem no empreendedorismo”, destacou Assis Filho, Secretário Nacional de Juventude.

 

 


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